Manifestações reais ou apenas coisas da nossa cabeça? Conheça, a seguir, intrigantes histórias de fenômenos sobrenaturais e descubra como o espiritismo explica tais acontecimentos
Texto • Luís Paulo Domingues
Quando o assunto gira em torno de lugares mal-assombrados, a imaginação das pessoas costuma “voar alto”. Quem nunca ouviu uma história arrepiante de barulhos no meio da noite, objetos que se movem sozinhos ou aparições do outro mundo? De boca em boca, esses "causos" vão ganhando grandes proporções e, às vezes, chegam a parecer pura ficção.
A ciência analisa o tema de maneira cética, não aceitando a existência de acontecimentos sobrenaturais. O espiritismo, por sua vez, afirma que esses fenômenos são, além de reais, perfeitamente explicáveis. As opiniões se dividem, mas em um ponto quase todo mundo concorda: as chamadas assombrações rendem ótimos relatos, daqueles que não queremos parar de ouvir, principalmente quando estamos em uma boa roda de amigos.
Histórias do interior
Acostumado a vivenciar estranhos fenômenos, o administrador de empresas José Márcio Vieira Filho conta que eles são comuns, especialmente, na sede de sua fazenda no distrito de Guaianás, no coração do estado de São Paulo, onde passou boa parte da sua infância.
Certa vez, em uma tarde chuvosa, Vieira se deparou com uma situação incomum ao sair da sede da fazenda. A porteira que dá acesso aos pastos não possui tranca e, estando sobre um desnível, precisa sempre de uma corda que a mantenha fechada. Nesse dia, porém, a corda estava cuidadosamente enrolada no chão do barracão e a porteira, inexplicavelmente, permanecia fechada por “força própria”. O administrador garante que é fisicamente impossível que aquela pesada porteira não se abra sem algo que a segure, pois o desnível em que ela se encontra é muito acentuado.
"Num gesto instintivo, fui em direção à corda para colocá-la novamente em seu lugar, mas logo depois estanquei. Melhor não chegar perto dessas coisas”, explica. “Quando virei as costas para voltar para dentro da casa, ouvi o ranger da porteira se abrindo e batendo no mourão da cerca lateral com violência. Peguei meu carro e resolvi dormir na cidade, pois não tenho funcionários e o lugar fica completamente deserto à noite”, lembra Vieira. “A primeira vez foi num hotel, em São Bernardo do Campo, toda a minha família viu. Só que na fazenda as coisas aparecem e ocorrem com uma frequência muito grande e talvez, por ser um lugar isolado e deserto, preocupe um pouco mais. Acho que existe uma carga muito forte naquele ambiente, mas não acredito que seja algo que possa me fazer mal”, conclui.
À luz da doutrina
O espiritismo explica de forma natural e realista esses estranhos acontecimentos. Antonio Carlos Amorim, diretor de doutrina do Centro Espírita Luis Ismael, em São Paulo, garante que não existem fenômenos sem explicação. O que as pessoas chamam de assombração seriam apenas espíritos desencarnados que ainda estão presentes e reagindo a um ou mais ambientes materiais.
“Geralmente, são espíritos de pessoas que viveram no local ou eram muito ligadas àquele ambiente”, explica Amorim. “Alguns têm consciência de que estão se manifestando, outros nem sabem que desencarnaram e tentam a todo tempo se comunicar, pois não entendem sua nova condição”, diz.
Amorim fala que, ao tentar sem sucesso comunicar-se com pessoas que frequentam um ambiente, o espírito pode ficar irritado e provocar fenômenos que assustam as pessoas, como fazer um copo cair, por exemplo. “Mas não se trata de uma ‘assombração’, com o sentido maléfico que as pessoas emprestam a esses eventos. Existem espíritos que tentam provocar o mal, mas a maior parte dos casos é apenas de manifestações que visam à comunicação e ao autoentendimento”, diz.
Ainda segundo o Amorim, essas manifestações mais assustadoras reduzem-se muito em ambientes onde as pessoas são boas e morais. “Boas pessoas costumam atrair espíritos mais esclarecidos”, avisa.
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